Animalife! – Como funciona os bastidores de uma fã-dublagem?

Animalife! – Como funciona os bastidores de uma fã-dublagem?

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Imagine que você está de bobeira na internet, resolve assistir alguma coisa só para descontrair e acaba encontrando uma série de Animes dublados por uma Fandub. Depois de assistir alguns episódios, você pode se perguntar como tudo aquilo foi feito, como funciona e quem sabe, como entrar nesse mundo. Com a evolução da internet, é possível começar a fazer suas próprias dublagens caseiras com apenas um microfone e um pouco de pesquisa.

Para responder às possíveis dúvidas que possam aparecer, a Animalife entrevistou Igor Gonçalves, um dos administradores da Fandub BR o qual está produzindo a dublagem de alguns Animes como Angel Beats!, Mirai Nikki e Ao no Exorcist. Apreciem a leitura!

OBS: Antes de tudo, queremos agradecer a Fandub BR pela entrevista e o ótimo tratamento a qual nos foi dado!

O que você está esperando para dublar? XD
O que você está esperando para dublar? XD

Eduardo: Como veio a ideia de abrir um grupo de fã-dublagem?

Igor: Na verdade a fã-dublagem existe a muito mais tempo. Eu mesmo estou nesse Hobbie há uns 6 ou 8  anos. O que fizemos na verdade foi criar a página do Fandub BR na tentativa de organizar os projetos em um só lugar ao invés de cada um ter sua página. Nós nos conhecemos bem antes dela. A maioria, por exemplo, são meus amigos há anos, conheço-os pessoalmente, inclusive.

Eduardo: Conte-me um pouco como é o trabalho de um dublador. O que é necessário para começar?

Igor: Bem, no caso de dublador profissional, antes de mais nada a pessoa precisa ser ator. Então um bom curso de teatro que forneça registro de ator no final do mesmo é o caminho correto. A segunda etapa é um curso de dublagem, pois só o curso mostrará a quem quer ser dublador como é a profissão de fato. No nosso caso, o que fazemos é fã-dublagem, ou seja, um hobbie onde todos podem participar. Basta ter um microfone de qualidade média/boa e um software de gravação de voz. Qualquer um pode “dublar” na sua própria casa.

Eduardo: No caso da fã-dublagem, quais são as dificuldades no começo?

Igor: Acredito que seja a técnica para se dublar. Em outras palavras, o poder de transmitir a emoção que o personagem precisa através da voz. Isso se aprende fazendo teatro. No caso da pessoa não ser ator, os veteranos nesse hobbie podem ajudar dando dicas de como encaixar melhor a voz na fã-dublagem que o mesmo está participando. Em suma, a maior dificuldade é interpretar bem, algo que vem com o tempo e com o próprio esforço de aprender olhando dublagens feitas por pessoas que estão nesse hobbie há mais tempo. Outra dificuldade a qual eu diria é a questão do som, alguns microfones não tem uma boa qualidade, o que deixa o resultado final não muito agradável aos ouvidos. Essa dificuldade, no entanto pode ser suprimida comprando-se um microfone de melhor qualidade.

Eduardo: Como os dubladores são escolhidos para “doar” suas vozes para os personagens?

Igor: Basicamente pela compatibilidade vocal (combinar com o personagem), pelo nível de confiança (saber que a pessoa vai dublar e não te enrolar eternamente) e pelo nível de interpretação.

Eduardo: As gravações geralmente são solos? Ou os Dubladores costumam gravar juntos a partir de programas de conferencia como o Skype?

Igor: Cada um grava na sua casa. O Skype às vezes é usado apenas para correções quando é explicado via áudio o que poderia melhorar em alguma fala por exemplo. Já usamos no passado uma direção “ao vivo” onde o diretor do projeto ia ouvindo a pessoa gravar e corrigindo eventuais falhas. Contudo, hoje em dia a maioria consegue se virar sozinho, então não fazemos mais esse tipo de direção.

Eduardo: Mas, nunca tiveram a ideia de gravarem um episódio juntos em uma conferência? Poderia ajudar na gravação das falas por conta da interação entre eles…

Igor: Embora essa ideia fosse divertida, não seria nem um pouco produtiva. A pessoa pode se sentir constrangida por tantas pessoas numa conferência a ouvindo dublar, além de que necessita uma organização muito maior para dirigir. Infelizmente, não rola.

Eduardo: E o roteiro? Como ele é criado e organizado?

Igor: No caso, nós adaptamos o texto a partir da versão legendada por algum fansub ou como no meu caso, da versão dublada em inglês do Anime (caso exista). Preocupamo-nos bastante com o roteiro, usamos palavras presentes no dia a dia, bem como procuramos adaptar o texto para que quem assistir possa entender de fato o que está se passando no episódio. Feito isso, temos como mandar as falas para quem vai participar da fã-dublagem.

Eduardo: Em média, quanto tempo demora para produzir um episódio? Não levando em consideração alguns contratempos que possam aparecer?

Igor: Caso não haja algum imprevisto (atraso) no processo, em média 4 ou 5 semanas por episódio. Contando com edição, roteiro e dublagem.

Eduardo: Mas, e aí? Caso a pessoa que esteja lendo a matéria nesse exato momento e queira entrar na equipe de vocês, o que ela deve fazer?

Igor: Nós costumamos abrir testes na própria página onde qualquer um pode tentar. Uma outra opção é mandar via mensagem alguma gravação mostrando a voz ou se tiver, um vídeo que a pessoa tenha de fã-dublagem. Uma coisa importante a se falar é: Ninguém precisa necessariamente de nós para dublar em casa. Como falei em outra pergunta, basta ter um microfone e um software para juntar o áudio no vídeo que qualquer um pode fazer seus próprios projetos.

E então? Leu a entrevista e se sentiu interessado em conferir os projetos da Fandub BR? Acesse o a página do grupo e se divirta! Essa foi o Animalife desse domingo, espero que tenham gostado. Comente e compartilhe a matéria, isso me incentiva demais a continuar a escrever! Aceitamos sugestões. Até o próximo domingo. o/

Página da Fandub BR

Imagens: Divulgação
Revisão e edição: ~Xscape~

  • Angelo Souza

    Muito boa entrevista.